“Saudade se traduz numa voz legal. É exatamente de madrugada, quando eu tenho aquela insônia chata, que eu penso em ligar pra você. Ou penso que você poderia me ligar. Pedir desculpa pelos erros, pela falta de atenção e por ser tão você. Ou nem precisava disso, nem precisava de cena. Você podia só… Ligar. Nem precisava dizer “olha, tô aqui porque tô com saudade da sua voz.” Porque, eu sei que você nunca seria um cara fofo e brega. Nem mesmo se você se esforçasse. Seria mais fácil você dizer “Robin, acho a sua voz legal. Legal de ouvir e tal.” São duas e meia da manhã e eu não tenho ideia do que fazer. Dormir eu não consigo, ler é muito chato e na tv não tem desenhos. Pensei em te ligar, de novo. Mas esse pensamento eu sempre consigo afastar, preciso ser forte. Forte, Robin. Adulta, adulta. O celular tava escondidinho debaixo do travesseiro. Isso porque, eu sei que eu sou fraca. Eu sei que eu não aguento, eu sei que eu não consigo. Eu sei muito bem dessas coisas, tá? Mas eu podia ligar só pra xingar você, dizer que eu não me importo, fingir que eu não tô nem aí. Mentir pra você só pra ouvir você dizendo que nunca acreditaria naquilo, e que eu era uma idiota. Mas que droga, por isso que eu odeio as madrugadas. E agora já são três e meia. Ótimo. O travesseiro tava vibrando, e a única coisa que eu ouvia era o tom abafado do toque do celular. “Alô?” “Oi.” Silêncio. Um, dois, três. “Demorou pra ligar.” “Quer dizer que estava esperando?” Um, dois, três. “Por que ligou?” “Sei lá, a sua voz é legal.” Um, dois, três. “Também senti saudades.””
— Robin and Stubb.